A Alternativa para a Alemanha (AfD) cravou um resultado sem precedentes na política alemã do pós-guerra: o partido conquistou a vitória na eleição estadual da Saxônia-Anhalt , no leste do país, com aproximadamente 44% dos votos , segundo os resultados parciais da apuração divulgados neste sábado (6). O tamanho do feito É a primeira vez que a AfD termina em primeiro lugar numa disputa estadual. A legenda, fundada em 2013 com um discurso fortemente contrário à imigração e à integração europeia, vinha crescendo sobretudo nos estados do leste — mas sempre ficava atrás dos partidos tradicionais na contagem final. Dessa vez, não. A CDU , partido de centro-direita que governou a Alemanha por décadas sob Angela Merkel, e o SPD , sigla social-democrata do atual chanceler, foram ultrapassados com folga na Saxônia-Anhalt. O leste como termômetro Os estados do leste alemão — região que fazia parte da Alemanha Oriental até a reunificação em 1990 — historicamente concentram maior insatisfação econômica e maior desconfiança em relação ao establishment político de Berlim. É nesse terreno que a AfD encontra seus melhores resultados, e a Saxônia-Anhalt confirmou o padrão com força inédita. O que muda a partir daqui Uma vitória estadual não coloca a AfD no governo federal, mas muda o cálculo político do país inteiro. Os partidos tradicionais terão que decidir se mantêm o chamado "cordão sanitário" — acordo tácito de nunca formar coalizão com a AfD — ou se começam a negociar. Essa decisão vai definir o tom da política alemã nos próximos anos. Por que o Brasil deve prestar atenção A Alemanha é a maior economia da Europa e o principal motor do bloco europeu. Instabilidade política lá pode travar negociações comerciais, afetar investimentos estrangeiros e alterar a postura da União Europeia em acordos como o Mercosul-UE. Para quem empreende, entender o cenário europeu é antecipar riscos e oportunidades.