A avalanche que atingiu o Nepal e o Tibete nos últimos dias já deixou centenas de mortos e desaparecidos . Enquanto equipes de emergência seguem em campo, especialistas explicam por que esse tipo de operação é tão diferente — e mais difícil — do que o resgate após terremotos. A diferença entre escombros e lama Em terremotos, estruturas desabam e criam bolsões de ar sob os escombros. Isso permite que vítimas sobrevivam por até 72 horas enquanto aguardam resgate. Em deslizamentos e avalanches, a massa de terra, lama e gelo preenche todos os espaços. A janela de sobrevivência cai drasticamente — em muitos casos, para menos de 15 minutos . Terreno que trabalha contra o socorro As equipes no Nepal enfrentam obstáculos adicionais: estradas destruídas, risco constante de novos deslizamentos e terreno em altitude elevada. A comparação com desastres como o de Brumadinho ajuda a dimensionar o desafio: no caso brasileiro, a lama de rejeitos também eliminou bolsões de ar e tornou a busca por sobreviventes uma corrida quase impossível. Avanço mesmo assim Apesar das condições, equipes nepalesas conseguiram socorrer 350 pessoas que se abrigaram em um túnel em construção de uma hidrelétrica. O resultado mostra que infraestrutura existente no entorno — mesmo inacabada — pode salvar vidas quando o pior acontece. Lição que vale aqui também O litoral brasileiro convive com encostas e morros suscetíveis a deslizamentos, especialmente no verão chuvoso. Conhecer os planos de evacuação da sua cidade e manter contato com a Defesa Civil é uma medida simples que faz diferença. Para o comércio local, estar informado sobre rotas alternativas e pontos de apoio fortalece a rede de proteção da comunidade inteira.