Os democratas conquistaram a maioria no Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato (as midterms ). O partido também controla a Câmara. Mesmo assim, as tarifas que o governo Donald Trump cobra sobre produtos brasileiros não devem cair tão cedo. É o que avaliam especialistas ouvidos pela Folhapress. Quais tarifas o Brasil paga hoje 25% pela Seção 301 , a lei americana contra práticas comerciais desleais. Washington cita supostas restrições às big techs americanas, o favorecimento ao Pix e barreiras ao etanol dos EUA. 12,5% a mais , também pela Seção 301, por suposto descumprimento de compromissos contra o trabalho forçado. Tarifas sobre aço e alumínio pela Seção 232 , justificadas como proteção da segurança nacional. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, essas tarifas atingem 47,3% das exportações brasileiras para os EUA. Por que a mudança no Congresso não muda tudo agora As tarifas das seções 301 e 232 são definidas pelo USTR, o escritório de comércio da Casa Branca. O órgão responde ao presidente e não depende de votação no Congresso. Ao longo dos anos, os parlamentares foram passando esse poder ao Executivo. O senador democrata Ron Wyden deve assumir o Comitê de Finanças do Senado. Na quarta-feira (4), ele disse que a prioridade do partido é devolver ao Congresso o poder sobre o comércio exterior. Os caminhos possíveis são: projetos que exigem aval do Congresso para aplicar a Seção 301 novas interpretações das leis atuais, para limitar a autonomia da Casa Branca ações na Justiça contra os poderes do presidente Existe, porém, um obstáculo: para derrubar um veto de Trump, são necessários dois terços de cada casa, ou seja, 290 deputados e 67 senadores . Em 2025, o Senado chegou a aprovar uma medida que considerava ilegais as tarifas contra o Brasil, com o voto de cinco republicanos. O texto, no entanto, parou na Câmara. O que dizem os especialistas Ricardo Zúniga , ex-integrante do Departamento de Estado e sócio da consultoria Dinámica Americas, acredita que Trump continuará controlando as tarifas por enquanto. Para ele, o Congresso provavelmente terá de ir à Justiça para recuperar esse poder. Já Welber Barral , ex-secretário de comércio exterior do Brasil, vê chances no médio prazo. Segundo ele, a inflação incomoda o eleitor americano, e isso pode levar republicanos a votar contra Trump. E o que isso tem a ver com o comércio daqui? Na Baixada Santista, o assunto chega rápido. O Porto de Santos é a principal saída das exportações brasileiras, e uma tarifa que reduz as vendas para os EUA mexe com transportadoras, operadores logísticos e com o emprego na região. Para o pequeno comércio, a lição é se preparar para um cenário que deve mudar devagar. No bood, o lojista local consegue vender para o bairro e depender menos do sobe e desce do comércio internacional.