Os números divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Banco Central confirmam o que muitos lojistas já sentiam no balcão: o brasileiro está mais endividado e pagando com mais atraso. A taxa de inadimplência no crédito livre subiu para 6,4% em julho — o maior nível desde que a série histórica começou, em março de 2011. Os números em detalhe Pessoas físicas no crédito livre — inadimplência de 7,8%, alta de 0,4 ponto percentual em um mês e 1,1 ponto em 12 meses Empresas no crédito livre — inadimplência de 4,2%, alta de 0,1 ponto no mês Todas as operações de crédito — 4,9%, também em alta de 0,9 ponto em 12 meses Endividamento das famílias — 49,8% da renda em junho, com comprometimento de 28,9% (alta de 1,7 ponto em um ano) Juros altos, crédito caro A taxa média do crédito livre recuou levemente para 47,7% ao ano , mas segue 1,8 ponto acima do nível de um ano atrás. Para pessoas físicas, o custo médio já bate 60% ao ano . O crescimento da inadimplência foi puxado por cartão de crédito à vista, consignado privado e financiamento de veículos . Estoque de crédito segue crescendo Apesar dos calotes, o volume total de crédito no país atingiu R$ 7,4 trilhões em julho , com expansão de 9,5% em 12 meses. Ou seja: o brasileiro continua tomando crédito mesmo pagando caro e atrasando mais. Três cuidados para o comércio Revisar o crédito próprio — fiado e parcelamento direto viram risco maior quando a inadimplência sobe Priorizar Pix e débito — formas de pagamento que eliminam o risco de calote Reforçar o fluxo de caixa — manter reserva para absorver eventuais atrasos de recebíveis Num cenário de crédito apertado, estar visível para o consumidor que paga à vista faz diferença. O bood coloca o comércio local no caminho de quem busca opções perto de casa — e compra sem depender de crediário.