Uma investigação da organização Mercy For Animals (MFA) registrou em vídeo a trituração de pintinhos machos recém-nascidos — com menos de 24 horas de vida — em um incubatório de grande porte da indústria de ovos na Região Sul do Brasil . Segundo a ONG, cerca de 35 mil animais eram eliminados por dia na unidade investigada. Como funciona o descarte Na cadeia de produção de ovos, apenas as fêmeas se tornam poedeiras. Os machos, de linhagem imprópria para corte, são separados logo após a eclosão e descartados. O método documentado utiliza máquinas com lâminas rotativas de alta velocidade — maceradores mecânicos que, segundo o relatório da MFA, nem sempre provocam morte imediata. O que diz a legislação Não existe norma federal brasileira que proíba expressamente a prática. A Constituição veda submeter animais à crueldade, mas a aplicação ao caso ainda é debatida. Dois projetos de lei tramitam no Congresso: o PL 783/2024 , da deputada Luciene Cavalcante, e o PL 3034/2026 , da deputada Heloísa Helena. No exterior, Alemanha, França, Áustria e Itália já proibiram o procedimento por lei. Noruega e Suíça chegaram ao mesmo resultado por iniciativa do próprio setor produtivo. A alternativa que já existe A sexagem in ovo permite identificar o sexo do embrião antes da eclosão, evitando que o pintinho nasça só para ser descartado. A primeira máquina do tipo no Brasil foi instalada em julho de 2025, em Nova Granada (SP) , atendendo a Raiar Orgânicos, que opera com cerca de 400 mil aves. Na União Europeia, a tecnologia já alcança 130 milhões de poedeiras. O que isso tem a ver com quem compra e vende Quem adquire ovos no mercado do bairro pode desconhecer as etapas da cadeia produtiva por trás da embalagem. A pressão por mudança costuma partir do consumidor informado — e comerciantes de alimentos que acompanham esse debate se antecipam a mudanças de fornecedores e respondem melhor a clientes cada vez mais atentos à origem do que consomem.