A tragédia que começou em 16 de agosto com o colapso de uma geleira na fronteira Nepal-China ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (28). Um lago represado no Tibete , formado pelo acúmulo de detritos da própria geleira, se rompeu e ameaçou as equipes de resgate que ainda procuram sobreviventes. O balanço até agora 584 mortos — 579 no Nepal e 5 na China 1.924 desaparecidos , dos quais 260 são estrangeiros Mais de 90 mil pessoas afetadas em toda a região O que aconteceu Segundo o Serviço Geológico dos EUA, o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira que gerou uma corrente de rochas, gelo e lama. A massa avançou pelos rios da região como uma onda, soterrando casas e destruindo pontes. Na quarta-feira (27), autoridades chinesas emitiram alerta sobre 3 milhões de metros cúbicos de água se acumulando em um lago represado acima da passagem de Gyirong. Resgates sob risco O novo rompimento obrigou as equipes a interromperem as buscas temporariamente. O nível da água subiu 60 centímetros do lado nepalês. Helicópteros estão sendo usados para localizar sobreviventes e levar suprimentos a áreas isoladas, mas a destruição de pontes e estradas dificulta o acesso por terra. Mudanças climáticas em escala global Desastres como esse reforçam o alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas em regiões montanhosas. O derretimento acelerado de geleiras forma lagos instáveis que podem se romper sem aviso. A discussão vale para qualquer cidade costeira ou com áreas de risco — inclusive na Baixada Santista, onde encostas e mangues exigem atenção constante.