As novas tarifas americanas impostas sobre produtos brasileiros já são uma realidade para as empresas exportadoras do país. A indústria calçadista — que tem os EUA como principal mercado externo — é uma das mais afetadas neste momento. Mas o caminho do impacto até o consumidor comum é mais longo do que parece. Como funciona a cadeia de impacto Os efeitos de um tarifaço raramente chegam de imediato ao varejo local. A cadeia funciona em etapas: 1ª onda — exportadores: empresas que vendem para os EUA veem os pedidos cair ou precisam reduzir margens para manter competitividade. Fabricantes de calçados, aço, produtos agrícolas e manufaturados sentem primeiro. 2ª onda — câmbio e insumos: incerteza comercial pressiona o real, o que encarece importações de máquinas, peças e matérias-primas usadas aqui dentro. 3ª onda — consumidor: o custo maior de produção e o câmbio desfavorável chegam às prateleiras — com atraso de meses, mas chegam. O que isso significa para o comércio local Para o pequeno e médio varejo, o tarifaço importa por dois caminhos principais: o preço de reposição do estoque pode subir, especialmente em categorias com insumos importados; e o poder de compra do consumidor pode encolher se o emprego nas indústrias exportadoras for afetado. Calçados, roupas com componentes importados e eletrônicos são as categorias que tendem a sentir mais rapidamente. O que fazer agora Em tempos de incerteza macroeconômica, visibilidade local é um ativo que custa pouco e rende muito. O cliente que está a dois quarteirões prefere comprar de quem ele já conhece e encontra facilmente. Manter um perfil atualizado em plataformas como o bood — com produtos, preços e horário de funcionamento — é uma ação concreta que não depende do câmbio nem das negociações entre Brasília e Washington.